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As repercussões da escaramuça aérea entre Índia e Paquistão

 Farei algumas considerações sobre a escaramuça aérea entre Índia e Paquistão através das missões Operação Sindoor e Operação Bunyan-un-Marsoos, respectivamente.

Minhas considerações gerais são:

A Índia atingiu várias bases aéreas e aeroportos paquistaneses, e o Paquistão não conseguiu interceptar a grande maioria dos mísseis. Os danos não foram catastróficos propositalmente. Provavelmente a Índia estava tentando enviar uma mensagem. Gostaria de atentar ao fato de que supostamente a maioria desses ataques foram realizados com Brahmos e mísseis balísticos. Já o outro lado, parece que a Índia interceptou um míssil balístico Fatah-II paquistanês em Sirsa que estava indo em direção a Nova Delhi.

  1. Índia desatualizada em termos de doutrina, treinamento e liderança;
  2. PAF muito superior a IAF nesses quesitos apesar de terem aeronaves equivalentes;
  3. PAF demonstrou uma consciência situacional superior a IAF;
  4. PAF quebrando a criptografia da IAF, o que demonstra a insegurança das comunicações indianas e a superioridade paquistanesa nesse domínio;
  5. Efetividade dos caças e mísseis chineses;
  6. Consolidando o combate BVR;
  7. Consolidando a 5ª geração;
  8. Eficácia dos sistemas AAe indianos;
  9. Ineficácia dos sistemas AAe paquistaneses;
  10. Ampla repercussão no cenário do Pacífico (China vs Taiwan/EUA);

Sobre o item 10, os americanos em si não podem se vangloriar muito sobre o abate de um Rafale, o que aconteceu com o Rafale é uma indicação do que pode acontecer com o SH americano no Pacífico. Inicialmente se imaginava que o emprego do PL-15 pudesse ser lançado a distâncias extremas contra as grandes aeronaves dos EUA como AWACS, ELINT/SIGINT, reabastecedores e bombardeiros . Acredito que o principal problema é que o cálculo mudou agora. O recente confronto aéreo demonstrou que esse não é o caso, o PL-15 é amplamente capaz de serem empregados contra os caças americanos a longas distâncias.

Paquistão - PAF

Com base nas observações até o momento, há três categorias que os paquistaneses deveriam acumular, melhorar e adicionar, respectivamente:

1. Itens que os paquistaneses devem acumular para fortalecer ainda mais suas próprias vantagens:

  1. Adquirir caças médios adicionais, ou seja, J-10CE em maior número para substituir os lotes mais antigos de F-16s;
  2. Adquirir caças leves adicionais, ou seja, JF-17 Block III em maior número (talvez +100 unidades) que substituiria inteiramente todos os Mirages e F-7s, além de atualizar todos os 138 JF-17 Block I/II para o Block III
  3. Adquirir aeronaves AEW&C adicionais, ou seja, Erieye para permitir maior grau de cobertura de radar contínua ao longo de todas as linhas de frente;
  4. Adquirir plataformas de aeronaves EW (ECM e ESM) dedicadas adicionais; e
  5. Adquirir aviões de reabastecimento adicionais para estender a duração de espera das aeronaves no ar.

A Índia é basicamente equivalente ao Paquistão aqui ou até superior em determinadas áreas, o problema da IAF está longe de ser o inventário de caças. São problemas muito maiores e mais profundos.

2. Coisas deficientes que devem ser melhoradas para remediar/eliminar essas deficiências:

  1. Adquirir mais baterias AAe de longo alcance, ou seja, HQ-9 e/ou HQ-22 para interceptar mísseis em longas distâncias;
  2. Adquirir mais baterias AAe de médio alcance, ou seja, HQ-16 e/ou HQ-11 para interceptar mísseis em médias distâncias;
  3. Adquirir mais baterias AAe de curto alcance + CIWS + DEW, ou seja, HQ-17 + LD2000 para interceptar mísseis e enxames de drones em distâncias curtas/próximas;
  4. Adquirir plataformas EW baseadas em terra para interceptar mísseis inimigos e enxames de drones; e
  5. Adquirir mais plataformas MALE/HALE UCAV para auxiliar em missões de reconhecimento, alerta antecipado e ataque.

Aqui eu reitero que a AAe indiana realmente foi uma grata surpresa. Acabou levando vantagem em relação ao Paquistão que é realmente deficiente em AAe.

3. Itens que devem ser adicionados ao inventário para maior impacto no campo de batalha:

  1. Adquirir caças de 5ª geração, ou seja, J-35s e KAAN (se este último puder entrar em produção a tempo), o que seria útil para estabelecer, no mínimo, paridade tecnológica;
  2. Adquirir plataformas de aeronaves ELINT/SIGINT dedicadas para permitir reconhecimento e alerta antecipado no domínio EM; e
  3. Adquirir plataformas ABM estratégicas para defesa contra potenciais ataques de MRBM, IRBM e mísseis hipersônicos.

Índia - IAF

Com base nos acontecimentos da escaramuça, a IAF deve avaliar suas capacidades legadas e aprimorá-las:

  1. Atualização dos Su-30MKI
  2. Encomenda de mais 114 Rafales
  3. 6-8 AWACS o mais rápido possível
  4. 6-12 reabastecedores
  5. Encomenda massiva de Astra Mk 1 e acelerar o Astra Mk 2/3
  6. Desenvolver o mais rápido o AMCA Mk1 e pressionando a HAL a produzir o AMCA com motores que não sejam americanos
  7. Encomendar em conjunto com o item 7 outro caça de 5ª geração para introduzir mais cedo do que o AMCA, talvez o Su-57
  8. Expansão da produção do Tejas
  9. Expansão da produção do BrahMos

O problema reside principalmente na aquisição. A IAF não possui uma quantidade adequada de ativos AWACS. A IAF optou por um número muito pequeno de plataformas de alto custo, principalmente de origem israelense, com componentes eletrônicos em uma fuselagem russa (ironicamente, com base na tecnologia inicialmente pretendida para o KJ-2000), das quais a IAF adquiriu apenas 3 unidades. A IAF não tem capacidade para substituir essas plataformas e, como tal, não pode correr o risco de perdê-las, tornando-as efetivamente rainhas de hangar. 

O nível de compatibilidade de datalink e rede entre essas 3 unidades e outros ativos da IAF também é questionável. Fora dessas 3 unidades, as únicas outras plataformas AWACS no inventário da IAF são apenas duas unidades de uma plataforma desenvolvida internamente (montada em uma fuselagem de origem brasileira) na mesma configuração do KJ-200/Erieye, que parece ter sido um projeto fracassado (uma terceira unidade dessa plataforma não foi introduzida em serviço ativo). O fato de toda a IAF possuir apenas 5 plataformas AWACS revela uma falha indesculpável na aquisição da IAF e pode explicar a incapacidade da IAF de adotar doutrinas modernas de combate aéreo.

AAe:

  1. Encomenda de mais 5-8 baterias do S-400 atualizado
  2. Encomenda de mais MR-SAM e Akash 2 para aumentar a cobertura AAe
  3. Mais C-UAV em todas as frentes negando o espaço aéreo

O item mais crítico da IAF é o Su-30MKI. A saga do Super Sukhoi já dura mais de uma década, inteiramente culpa da Índia, primeiro por abraçar as sanções americanas e impedir o envolvimento russo na atualização do Sukhoi, como era o planejado desde o início. Depois, a encomenda de mísseis RVV-SD/RVV-MD, especialmente no caso do RVV-SD de 110 km é superado pelo PL-15E de 145 km. A IAF está permanecendo cada vez mais atrás em termos de tecnologia e sua grande frota de MKI é parte de culpa nisso.

Eles nem mesmo deram um passo mais modesto de pelo menos atualizar sua frota para algo semelhante ao padrão Su-30SM2, envolvendo um radar Bars atualizado e, crucialmente, a capacidade de disparar o RVV-BD de longo alcance de 200 km. Se tivessem feito isso, até mesmo o combo J-10C/PL-15E teria sido duramente pressionado, o RVV-BD pode não ser tão ágil quanto o PL-15E, mas faz seu trabalho pela força bruta, grande, longo alcance, muito rápido e grande ogiva. A Ucrânia mostra que o R-37 russo é o míssil mais perigoso de se enfrentar, com provavelmente muitos abates a seu crédito, então não deve ser menosprezado.

Esta é uma das razões pelas quais o Su-30MKI aparentemente teve um desempenho abaixo da média tanto em 2019 (o RVV-AE básico era superado pelo AIM-120C naquela época) quanto agora.

Outro aspecto da aquisição de armas indianas que devem reexaminar é a aquisição de AWACs. A Índia adotou a estratégia de importar AWACs grandes e caros em pequenas quantidades, resultando em uma frota de AWACs que não podia se dar ao luxo de perder nem de substituir facilmente em caso de perdas. A PAF, por outro lado, adotou a estratégia de adquirir uma plataforma menor e menos capaz, porém mais atrativa e em número suficiente. Embora a PAF tenha conseguido utilizar seus AWACs com grande eficácia, a IAF provavelmente hesitou em arriscar a implantação de seus AWACs em situações de risco.

Outro aspecto que podemos avaliar é a eficácia do BrahMos que parece ser muito preciso e foi capaz de furar a AAe paquistanesa.

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