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A ameaça de guerra do século XXI entre China e Taiwan: As opções de campanha militar da China contra Taiwan - Parte 5

Curso de ação militar da RPC contra Taiwan


A República Popular da China (RPC) continua a sinalizar sua disposição para empregar força militar contra Taiwan. O Exército de Libertação Popular (PLA) dispõe de um leque de opções para coagir Taipei, com base em suas crescentes capacidades em múltiplos domínios. A RPC poderia adotar uma abordagem gradual, sinalizando sua disponibilidade para usar a força ou conduzir ações punitivas contra Taiwan. O PLA também poderia executar uma campanha mais abrangente, destinada a forçar Taiwan a capitular à unificação ou a compelir sua liderança a negociar nos termos de Pequim.

Ressalte-se que a RPC procuraria dissuadir uma potencial intervenção dos Estados Unidos em qualquer cenário de contingência envolvendo Taiwan. Caso a dissuasão fracasse, a RPC tentaria atrasar e derrotar a intervenção em um período limitado, por meio de uma guerra de curta duração. Na hipótese de um conflito prolongado, o PLA poderia optar por escalar as hostilidades nos domínios cibernético, espacial ou mesmo nuclear, na tentativa de encerrar o conflito, ou poderia buscar um impasse e um acordo político. O PLA disporia de opções militares contra Taiwan — listadas a seguir, individualmente ou em combinação — com diferentes graus de viabilidade e riscos associados.

➡️ Bloqueio aéreo e marítimo: A doutrina do PLA prevê uma Campanha Conjunta de Bloqueio, na qual a RPC empregaria bloqueios ao tráfego marítimo e aéreo, incluindo a interrupção de importações vitais para Taiwan, com o objetivo de forçar sua capitulação. Ataques de mísseis em larga escala e a possível ocupação das ilhas periféricas de Taiwan acompanhariam essa campanha, visando compelir a rendição da ilha e, simultaneamente, posicionar forças aéreas e navais para conduzir operações de bloqueio por semanas ou meses, se necessário. A RPC provavelmente complementaria a estratégia de bloqueio com ações simultâneas de guerra eletrônica, ataques cibernéticos e operações de informação, com o propósito de isolar ainda mais as autoridades e a população de Taiwan e controlar a narrativa internacional do conflito.

➡️ Força limitada ou opções coercitivas: A RPC poderia empregar uma variedade de medidas perturbadoras, punitivas ou ações militares letais em uma campanha limitada contra Taiwan, provavelmente em conjunto com atividades econômicas e políticas abertas e encobertas, apoiadas por operações de informação destinadas a moldar percepções ou minar a eficácia e a autoridade das autoridades taiwanesas. Tal campanha poderia incluir ataques cibernéticos ou cinéticos limitados contra a infraestrutura política, militar e econômica de Taiwan, com o objetivo de infundir medo e degradar a confiança da população em seus líderes. De forma similar, forças de operações especiais do PLA poderiam infiltrar-se em Taiwan e conduzir ataques contra infraestruturas ou assassinar lideranças políticas.

➡️ Campanha aérea e de mísseis: A RPC poderia utilizar mísseis de precisão e ataques aéreos contra alvos governamentais e militares, incluindo bases aéreas, radares, posições de mísseis, ativos espaciais e instalações de comunicação, com a finalidade de degradar as defesas de Taiwan, neutralizar sua liderança ou minar a determinação da população em resistir.

➡️ Invasão anfíbia: A doutrina da RPC descreve diferentes conceitos operacionais para uma invasão anfíbia de Taiwan. O mais proeminente deles — a Campanha Conjunta de Desembarque — prevê uma operação complexa, dependente de campanhas coordenadas e interligadas de guerra eletrônica, logística, apoio aéreo e naval. Seus objetivos são romper ou contornar as defesas costeiras, estabelecer uma cabeça de praia, concentrar poder de combate ao longo da costa ocidental de Taiwan e capturar alvos estratégicos ou a totalidade da ilha.

Dos quatro cenários descritos, a China poderia, em tese, executar todos simultaneamente. Para facilitar o meu trabalho na elaboração do texto, analisaremos apenas um único cenário: a invasão anfíbia.

A invasão anfíbia contra Taiwan

Uma noção comum atualmente é que uma invasão através do Estreito seria extremamente difícil de realizar, pois exigiria o deslocamento de um contingente imenso de pessoal e material, resultando em uma operação anfíbia comparável à Operação Overlord.

Bem, trata-se mais de um mito recorrente, na verdade. Um dos aspectos mais irritantes do discurso leigo sobre o PLA é o mito duradouro de que seria necessário 1 milhão de homens atravessando o Estreito. Pessoalmente, atribuo a Ian Easton a responsabilidade por essa narrativa equivocada. O tropo comum é de que o PLA constituiria uma grande força terrestre ao longo de um período prolongado, mobilizaria todos os seus ativos de transporte disponíveis e tentaria embarcar e desembarcar a maior força possível nas poucas praias de desembarque — nos moldes do Dia D — que, entretanto, estariam defendidas, minadas, preparadas e sob fogo taiwanês desde o início das hostilidades.

Isso não corresponde, nem de longe, à forma como o PLA pretende conduzir operações. O mito é perpetuado principalmente por publicações de baixa qualidade, como "The Chinese Invasion Threat: Taiwan's Defense and American Strategy in Asia", do já mencionado Ian Easton, e também porque, até aproximadamente a década de 2010, essa descrição não estava tão distante da realidade.

Até relativamente pouco tempo atrás, a intervenção dos EUA, caso Taiwan fosse invadida e caísse em questão de dias, não era considerada garantida. Se o PLA conseguisse embarcar e desembarcar com sucesso uma primeira onda anfíbia suficientemente grande, poderia explorar as cabeças de praia para contornar, pressionar ou repelir os defensores do Exército da República da China (ROCA) por meio de ataques em massa, manobras agressivas e o emprego em larga escala da força de desembarque. Se isso fosse alcançado e o ROCA derrotado em um período suficientemente curto, a intervenção dos EUA poderia ser abortada, e a guerra vencida sem que se configurasse um conflito maior. Para tanto, seria necessário mobilizar a totalidade da frota anfíbia da Marinha do PLA (PLAN), toda a capacidade de transporte civil de uso duplo da China, a capacidade de transporte da milícia marítima (PAFMM) e o conjunto de meios anfíbios das forças terrestres (PLAGF) e dos fuzileiros navais (PLANMC) para um embarque rápido.

Esse cenário, contudo, era anterior a 2013. Após a reforma militar de 2016 — e especialmente a partir de 2019, em função da geopolítica —, deixou de ser provável que os EUA se mantivessem à margem de uma guerra por Taiwan. Atualmente, acredita-se no PLA que, se os EUA entrarem no conflito, não permanecerão passivos diante da queda da ilha. Dessa forma, o modelo de operação massiva estilo Dia D perde seu benefício central — impedir a intervenção americana — e, portanto, já não constitui um uso prudente de recursos realizar um ataque no primeiro dia contra posições preparadas, após um acúmulo prolongado de forças. Além disso, haveria ampla evidência da mobilização e concentração chinesa, captada por satélites espiões do NRO dos EUA que, certamente estariam engajados em pré-posicionamento e planejamento para a defesa de Taiwan em um esforço coletivo.

Taiwan representa a hegemonia americana no Pacífico Ocidental, e os EUA não abdicarão desse símbolo, pois sua perda conferiria vantagem estratégica a uma China ainda mais poderosa no futuro. A defesa americana de Taiwan não decorre de uma imposição legal como o "Taiwan Invasion Prevention Act" — que sequer foi aprovado pelo Congresso —, mas sim do fato de Taiwan ser um símbolo da presença americana no Pacífico Ocidental.

O pensamento corrente é o de que, se os Estados Unidos e seus aliados entrarem em hostilidades com a China, o conflito só cessará quando um dos lados não puder ou não quiser mais lutar. Diante desse novo ambiente operacional, um curso de ação completamente distinto revela-se mais vantajoso — pelo menos segundo a crença do PLA e a modelagem de análises disponíveis.

Em vez de um acúmulo grande e visível de componentes terrestres, o máximo que se observaria seria a transferência de aeronaves para bases avançadas no Comando de Teatro Oriental (ETC), a realização de manutenção extra em navios de superfície para maximizar sua disponibilidade no início das hostilidades e algumas atividades logísticas preparatórias para operações aéreas e navais no Pacífico Ocidental. Esse acúmulo duraria, no máximo, um mês, com estimativas mais prováveis situando-o entre 7 e 10 dias, se houver.

Sua magnitude seria muito menos detectável por EUA, Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Acredita-se atualmente que o PLA seja capaz de conduzir essas tarefas logísticas de forma a escapar completamente do radar de ameaças — ou seja, tais movimentações seriam interpretadas, no máximo, como exercícios rotineiros, com ligeiro aumento da estrutura de força no litoral. Seria extremamente improvável que os adversários identificassem corretamente os sinais precursores de operações aéreas e navais, a menos que o PLA comprometesse totalmente o desdobramento de Material de Emprego Militar (MEM) para os portos e bases de origem. Como afirmam autoridades militares americanas, os exercícios do PLA tornam-se crescentemente realistas.

Os primeiros momentos da guerra seriam marcados não pelo embarque de tropas e equipamentos, mas por fogos massivos de mísseis e foguetes da Força de Mísseis do PLA (PLARF) e da Força Aérea do PLA (PLAAF) contra o "sistema operacional" dos EUA. Para os não familiarizados com a doutrina do PLA de Confronto de Sistemas/Guerra de Destruição de Sistemas, ou com seu componente de ataque — a "guerra centrada no alvo" —, não caberia aqui aprofundar. Remeto, contudo, a um estudo de caso da RAND sobre o tema.

Infraestruturas militares como instalações de comando e controle, pistas, depósitos de combustível, radares, posições de defesa antiaérea, instalações militares, sedes de liderança política, infraestrutura de conectividade (cabos submarinos, torres de celular etc.) e outros alvos de nível operacional seriam atingidos, com o objetivo de negar aos EUA e a Taiwan a capacidade de gerar e empregar seu próprio poder de combate.
  1. Criar crateras nas pistas impede a decolagem de aeronaves por mais de um dia; desabilitar nós C4ISR dificulta a coordenação efetiva das forças remanescentes dos EUA e aliados.
  2. Atingir radares e posições de defesa antiaérea cria corredores de penetração para ataques e, no limite, assegura liberdade de manobra quase total, uma vez que tudo o que já estiver no ar terá sido eliminado.
  3. Atacar instalações militares operacionalmente relevantes gera uma contagem precoce de baixas que, além de desmoralizante, degrada a eficácia de quaisquer reações dos países aliados.
  4. Atingir instalações políticas pode remover a liderança da equação desde o início, prejudicando ainda mais a coordenação e representando um golpe significativo para o moral, especialmente se altas patentes forem eliminadas.
Atacar a infraestrutura de conectividade isola não apenas os militares e a liderança da nação atacada, mas também a população do apoio moral externo — fator mais relevante do que se poderia supor. Suportar uma campanha de ataques massivos com encorajamento externo e informação sobre o desenrolar dos acontecimentos é muito mais tolerável do que enfrentá-la sem qualquer noção da evolução da situação ou da reação mundial.

Como sugere a expressão inicial, "Assassins' Mace" — pela qual o PLA designa essa capacidade, comparando-a a um golpe inicial esmagador que praticamente garante a vitória desde o início —, após a primeira salva de ataques, a Força Aérea de Taiwan (ROCAF), a Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF) e a Força Aérea dos EUA (USAF) não disporiam de infraestrutura operacional de geração de surtidas mais próxima do que Pearl Harbor. Guam, Kadena, Misawa e, dependendo do cenário, possivelmente as instalações aéreas da Coreia do Sul também estariam completamente fora de ação. Japão, Taiwan e, potencialmente, Coreia do Sul — que pessoalmente não prevejo como beligerante, devido à ameaça norte-coreana — ficariam sem capacidade antiaérea significativa, exceto por sistemas de defesa de curto alcance (SHORAD) eventualmente existentes.

Essa janela seria explorada pelas forças de bombardeiros e aviação tática (TacAir) da PLAAF, que empregariam a massa de fogos necessária para atingir alvos industriais, econômicos e de infraestrutura mais amplos. Pense-se em reservas de recursos estratégicos, infraestrutura portuária — tudo o que degrade a capacidade das forças dos EUA, Coreia do Sul e Japão de gerar, empregar e sustentar poder de combate. A ênfase em "gerar, sustentar, empregar" é essencial, porque muitos assumem que a camada tática é tudo o que existe, quando, na realidade, é necessário enorme esforço, coordenação e apoio para conduzir operações militares eficazes em grande escala.

Enquanto os mísseis de cruzeiro da aviação tática (PLAAF) e da PLARF atingem seus alvos, a Marinha do PLA (PLAN) e sua aviação naval (PLANAF) certamente também estarão em operação. As forças da PLAN na área de responsabilidade da 7ª Frota (7FLT) superam significativamente a Marinha dos EUA, considerando-se a totalidade da PLAN em oposição ao porta-aviões CVN-76, ao DESRON 15 (sete destróieres) e aos três cruzadores de Yokosuka, além de quaisquer forças das 3ª e 5ª Frotas eventualmente presentes no teatro (frequentemente um grupo de batalha da 3ª Frota opera ao lado do CSG-5, que é o CVN-76 sempre que este é destacado). Essas forças compreendem normalmente um porta-aviões, de três a cinco destróieres, um ou dois cruzadores, além dos dez ou mais navios de superfície modernos e capazes da Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF). Observe-se que nem todos esses navios estarão efetivamente destacados; há boa chance de que entre um terço e metade deles esteja indisponível ou em porto.

Sem adentrar em modelagem e matemática detalhadas, a disparidade de forças local entre a PLAN e a USN + JMSDF é bastante expressiva. Qualquer embarcação em porto seria destruída na primeira onda de ataques, e é improvável que qualquer força naval destacada sobreviva a 1.800 km da costa da China — cerca de 85% da distância até Guam — devido ao volume verdadeiramente impressionante de ataques que apenas a PLANAF seria capaz de gerar. Para referência, abaixo é uma imagem de um ORBAT antigo (antes dos bombardeiros e caças serem transferidos para a PLAAF) do volume de fogo da PLANAF.

                       

Espero que seja desnecessário dizer que os navios remanescentes da Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF) e da Marinha da República da China (ROCN) seriam completamente anulados nas proximidades da China.

Nesse ponto, após 5 a 6 horas, Taiwan e o Japão — além da Coreia do Sul (ROK), se porventura aderirem às hostilidades — não disporiam mais de um sistema de defesa antiaérea (GBAD ou aviação tática), nem de marinha operacional (ressalvada a hipótese improvável de algumas embarcações da ROCN ou da JMSDF estarem em exercício no Pacífico com forças da Marinha dos EUA). Teriam sofrido baixas em escala não vista desde a Segunda Guerra Mundial e estariam lutando às cegas (em razão da supressão de defesas aéreas — SEAD — e da gigantesca capacidade de guerra eletrônica do PLA), descoordenados (pelos ataques aos nós C4ISR anteriormente mencionados) e sem apoio (devido à desativação da infraestrutura portuária e aeroportuária, e a um bloqueio declarado que, ainda que os EUA pudessem administrar, interromperia temporariamente o transporte marítimo enquanto os operadores navais buscassem orientação, com a conectividade severamente degradada ou inexistente).

Os EUA estariam operando em uma realidade na qual a base avançada simplesmente deixou de existir, perderam um ou dois grupos de batalha de porta-aviões (CSG) e potencialmente um ou dois Grupos de Ação de Superfície do Pacífico (PAC SAG) ou grupos expedicionários (ESG) no Pacífico, as aeronaves avançadas foram destruídas ou impossibilitadas de participar das hostilidades, e as forças de reação mais rápidas levariam de 1,5 a 2 meses para chegar.

Ao optar por não constituir um componente terrestre massivo ao longo de semanas, o PLA obtém inúmeros benefícios em termos de iniciativa, eficácia da força — um inimigo mobilizado, entrincheirado e preparado é um alvo mais difícil do que um adversário em situação de paz, ainda que sob suspeita — e, sobretudo, opções. Essas opções testarão a capacidade de resposta dos EUA nos primeiros momentos da invasão e permitirão ao PLA avaliar a reação dos países da região, ajustando-se ao cenário em formação.

Um EUA que dispusesse de semanas de aviso prévio, em razão de uma enorme força de invasão com centenas de milhares de homens, seria um EUA que teria reforçado suas bases avançadas, retirado seus ativos navais, antecipado a ativação de grupos de porta-aviões conforme o Plano de Resposta da Frota (FRP) e operado com presença aérea contínua muito elevada. Em contraste, mesmo um EUA moderadamente alerta não teria elevado sua estrutura de força a uma postura de guerra no início das hostilidades, porque a iniciativa da operação imprevisível caberia inteiramente à China, mascarada por uma rotina de pequenas rotações para exercícios aéreos e navais.

De qualquer forma, apenas neste momento — e não antes — o PLA começaria a mobilizar seus componentes terrestres para grandes operações anfíbias. Talvez algumas forças do Exército do PLA (PLAGF) já em prontidão, oriundas dos Grupos de Exércitos 72, 73 ou 74 (em nível de brigada), tivessem conduzido operações aéreas ou de assalto aéreo em menor escala contra Kinmen, Matsu e outras ilhas menores e levemente defendidas, mas essa seria a extensão das operações terrestres durante as fases iniciais.

Com Taiwan e Japão nesta posição, a PLAAF deslocaria seu foco para estender a capacidade DAAe e todo o conjunto FLOC (Force Logistics Operation Center) do leste do ECS (Mar da China Oriental) para o sul do Spratlys (Mar do Sul da China), enquanto continua as operações de ataque contra outros alvos operacionais e táticos no Japão e em Taiwan. Um verdadeiro cobertor de VANTs provavelmente será mantido sobre o Taiwan, e um extenso aparato ISR será conduzido no sul do Japão para identificar quaisquer alvos táticos mencionados acima (blindados em movimento, comboios em movimento, FARP (Forward Arming and Refueling Point) sendo configurados, qualquer coisa que represente uma ameaça militar essencialmente), e a acusação dessa movimentação será conduzida/registrada/validada/processada pelo VANT organicamente ou por transferência para surtidas BAI (Battlefield Air Interdiction) destinadas a tais tarefas.

Nas semanas seguintes, Taiwan seria continuamente sangrada por ataques contra tais alvos, combinados com os gigantescos problemas de recursos que enfrentaria imediatamente após a destruição de seus estoques estratégicos. Taiwan importa 98% de sua energia, 100% de seu gás natural liquefeito (GNL) e possui menos de 30% de segurança alimentar. Isso significa que a geração de eletricidade, a purificação de água e outras infraestruturas críticas seriam destruídas no primeiro dia, e os alimentos começariam a escassear cerca de uma semana após o início dos combates, ou por volta do décimo dia com racionamento extensivo. A situação do Japão não é muito melhor, dada sua dependência igualmente elevada de importações de energia, alimentos e combustível.

Essa fase de desgaste prosseguiria até que as forças do PLAGF e do Corpo de Fuzileiros Navais do PLA (PLANMC) concluíssem sua organização e atingissem o nível de prontidão necessário — por meio de treinamento progressivo: individual, equipe, esquadra, pelotão, companhia, batalhão, brigada —, o que demandaria de um a um mês e meio após o início do conflito.

Inicialmente, é provável que uma ou duas brigadas — supondo uma brigada (divisão anfíbia) do PLANMC, mais uma brigada aeromóvel e/ou duas brigadas de operações especiais — conduzissem uma operação precursora entre 48 e 72 horas antes da hora H (desembarque principal), com o objetivo de assegurar Penghu como base de fogo avançada e nó logístico, além de testar e amolecer as defesas taiwanesas em menor escala. Com Penghu garantida, a artilharia de tubo e de foguetes do PLAGF — capaz de atingir o interior montanhoso ou qualquer ponto da ilha, respectivamente — seria transportada para a ilha, a infraestrutura logística seria erguida e as brigadas de manobra se reconsolidariam, deixando o policiamento para formações auxiliares da Polícia Armada Popular (PAP) trazidas após a conquista.

O ataque principal provavelmente consistiria em uma primeira onda de quatro a seis brigadas do PLANMC desembarcando ao longo da costa ocidental plana e favorável de Taiwan, para assegurar uma cabeça de ponte. Outras quatro a seis brigadas de armas combinadas anfíbias do PLAGF comporiam a segunda onda, incumbidas de reforçar e apoiar as posições do PLANMC, além de abrir cabeças de ponte adicionais para manobra. Essas forças seriam apoiadas por três a seis brigadas de infantaria paraquedista e aeromóvel, encarregadas de interromper os escalões de retaguarda do Exército da República da China (ROCA), assegurar posições estratégicas e capturar alvos sensíveis ao fator tempo.

Francamente, com Taiwan tão desgastada quanto se descreve, seria surpreendente se o ROCA não sucumbisse em questão de dias diante de 12 a 15 brigadas do PLAGF amplamente superiores e bem apoiadas. No entanto, se resistisse, as forças anfíbias do PLAGF avançariam para o interior até que uma série de bastiões fosse estabelecida em torno dos pontos de desembarque, amplamente defendidos pelo PLANMC e por uma considerável presença antiaérea. As brigadas convencionais do PLAGF poderiam então ser transportadas por mar através do estreito ao ritmo de uma a duas brigadas a cada 12 a 24 horas, considerando a atual capacidade logística do PLA.

Com a Marinha da República da China (ROCN) necessariamente engajada e destruída nos minutos iniciais do conflito, e com toda a costa de Taiwan sob cobertura ISTAR (Inteligência, Vigilância, Reconhecimento e Designação de Alvos) 24 horas por dia, sete dias por semana — para não mencionar questões ainda mais existenciais —, o ROCA seria incapaz de concentrar uma força defensiva significativa, muito menos uma força capaz de realizar operações de manobra ofensiva com o objetivo de rechaçar o PLA. A fase de invasão seria praticamente uma etapa de limpeza, com a maior parte dos combates ocorrendo entre os EUA e o PLA.

Em geral, a maioria dos analistas diverge quanto à crença do PLA sobre a prontidão de resposta dos EUA: se os EUA responderiam imediatamente à agressão do PLA contra Taiwan — com quaisquer ativos presentes no local (isto é, se um comandante local teria autoridade para interditar cineticamente as operações do PLA assim que as observasse) — ou se os EUA primeiro se apressariam a assegurar seus ativos no teatro, coordenar com nações parceiras, ativar o aparato legislativo e só então iniciariam operações cinéticas, após garantir a melhor condição inicial possível. Pode não parecer significativo, mas essa diferença altera profundamente não apenas o equilíbrio de poder, mas também os cursos de ação mais vantajosos para o PLA. O exemplo mais saliente é se Taiwan absorveria de 45% a 60% da largura de banda de ataques iniciais do PLA em uma salva na primeira hora do primeiro dia, ou se absorveria quase 100% dela.

Se os EUA demorarem a puxar o gatilho pelos entraves anteriores mencionados, o melhor curso de ação do PLA é se concentrar em gerar e empregar os fogos necessários para paralisar totalmente Taiwan o mais rápido possível. A partir deste ponto, a grande maioria do poder de combate pode ser reorientada para a condução de operações contra os EUA e seus parceiros (incluindo a antecipação do acúmulo dos EUA com fogos tão rápidos quanto possível empregados contra os aparelhos de geração de combate dos EUA e parceiros), o que quer que pareça depois de terem cumprido seus objetivos em Taiwan, enquanto Taiwan é coberto com plataformas de vigilância VANTs, sujeita a ataques constantes a alvos de oportunidade (ou seja, CC, artilharia, caminhões, entre outros) por helicóptero, MRLS e ataques gerados por VANTs, com importações de gás natural para aumentar a produtividade, enfrenta isolamento da esfera global de telecomunicações (as capacidades de GE do PLA são vertiginosas, e Taiwan tem apenas sete cabos de fibra, muitos dos quais levam à China continental, conectando-a à internet), e colocados sob propaganda incessante da China.

Apenas quando a fome, a sede — a infraestrutura taiwanesa de purificação de água e filtragem de resíduos é preocupantemente vulnerável —, a falta de acesso ao saneamento (a filtragem de resíduos e a infraestrutura moderna de saneamento certamente seriam alvos), a escassez de combustível, a diminuição das forças em decorrência dos ataques aéreos e indiretos do PLA (que continuariam a sangrar o que restasse após os ataques operacionais iniciais) e o baixo moral — resultante dos fatores supracitados, da propaganda constante, da rapidez e extensão da destruição infligida, e de uma vontade e capacidade já algo instáveis para o combate — tivessem cobrado um preço considerável, o PLA introduziria um componente terrestre na invasão.

O acúmulo dessas forças não ocorreria antes do conflito, mas sim depois de iniciado, por meio da ação da Força de Mísseis do PLA (PLARF), da Força Aérea (PLAAF), da Marinha (PLAN) e da Aviação Naval (PLANAF). Isso reduziria drasticamente a janela de tempo — de semanas para horas, no máximo — de que os EUA disporiam para reagir. Tal estratégia permitiria à China não apenas administrar a taxa de baixas entre as forças pré e pós-desembarque, bem como o segundo e terceiro escalões de tropas destinados a expandir a cabeça de ponte. Um Exército da República da China (ROCA) sem combustível e suprimentos tornar-se uma força completamente inoperante, impossibilitada de realizar as manobras necessárias para impedir o assalto anfíbio. Nessa fase da invasão, a China teria eliminado por completo a ameaça aeronaval dos EUA e aliados, afastando-os da área de operações terrestres do Exército do PLA (PLAGF) e do Corpo de Fuzileiros Navais do PLA (PLANMC) em Taiwan, o que minimizaria significativamente as baixas do lado chinês.

Por outro lado, se os EUA pretendessem entrar no conflito o mais rapidamente possível, um curso de ação notavelmente diferente seria a escolha mais vantajosa para o PLA. Os fogos operacionais iniciais ainda seriam empregados contra alvos taiwaneses, mas o objetivo inicial seria simplesmente neutralizá-los, em vez de incapacitá-los completamente. Em lugar de uma campanha totalista conduzida no menor tempo possível para exaurir a lista de alvos em Taiwan, a campanha visaria degradar e destruir o máximo de poder de combate taiwanês no menor tempo possível. Embora de escopo mais limitado, isso efetivamente colocaria Taiwan fora da luta logo nos primeiros momentos.

Os 40% a 60% restantes da capacidade de geração de ataques seriam direcionados contra a infraestrutura de combate dos EUA e de nações parceiras — pense-se em Kadena, Guam, qualquer aeronave P-8A que esteja sobrevoando o Mar do Sul da China, todo o esquadrão DESRON-15, o porta-aviões CVN-76, os cruzadores da 7ª Frota, a infraestrutura portuária e aeroportuária no Japão e todos os demais alvos críticos que contribuem para a capacidade dos EUA e aliados de gerar, empregar e sustentar poder de combate no teatro. Uma vez que as forças locais dos EUA e/ou parceiros fossem degradadas ou destruídas, e os EUA e aliados estivessem cambaleando e lutando para reagir, a capacidade de fogos do PLA, agora liberada, seria novamente direcionada a Taiwan.

Embora a invasão possa parecer um pouco diferente do modelo detalhado no artigo, dependendo do caminho inicial que o PLA seguir. Em primeiro lugar, porém, algumas ressalvas sobre algumas noções comuns difundidas.

A) Taiwan não é inacessível durante a maior parte do ano. Este é um incômodo apresentado em grande parte por Ian Easton em seu trabalho seminal "The Chinese Invasion Threat". Embora sim, o Estreito de Taiwan é realmente operacionalmente inclemente durante grande parte da primavera e do verão (aqui outono e inverno) - até mesmo famoso por matar pessoas que tentam cruzar ilegalmente para o continente - raramente é significativo o suficiente para impedir que navios de guerra anfíbios transitem pelo estreito.

Isso, entre muitas outras coisas, cataloga e modela a frequência da altura significativa da onda na parte mais perigosa do Estreito de Taiwan. Na esmagadora maioria do tempo, o grau do estado do mar é 3-4; com meses particularmente agitados, geralmente atingindo os estados do mar 5 e 6 (ondulações de 2,5 a 6 metros). Os estados do mar 5 e 6 são de fato, condições inaceitáveis ​​para desembarcar veículos anfíbios como os possuídos pelas Bdas Anf do PLANMC e PLAGF, portanto, à primeira vista, parece sensato. No entanto, essas partes mais perigosas do estreito estão a uma distância significativa da costa.

Embora a condução de um Dia D com características de Ian Easton na forma de um grande número, potencialmente milhares, de pequenos barcos e outros transportes assimétricos seja realmente inviável nessas condições - a navegação moderna, navios grandes por essas condições e nas águas muito menos perigosas perto da costa definitivamente não são. De 30/40 km a oeste de Taiwan até suas costas, os estados do mar são significativamente menos perigosos. Mesmo neste exato momento, durante o auge do período de mau clima (geralmente considerado como abril-maio), as ondas nessa faixa até a costa raramente ultrapassam 1 metro. Assim, o PLA não é significativamente limitado pelo clima em sua condução de operações anfíbias convencionais. Embora um tufão, tempestade tropical ou outro evento climático significativo o impeça; os taiwaneses se enfraqueceram muito mais com o tempo do que o PLA, que pode facilmente se dar ao luxo de mudar os cronogramas de dias para semanas.

B) Taiwan não tem apenas algumas praias viáveis para desembarque de tropas

Essa é mais uma crença disseminada em grande parte devido a Ian Easton.

É fato que uma parcela não insignificante da costa de Taiwan é montanhosa, rochosa e praticamente inadequada para o desembarque de uma força considerável — como brigadas anfíbias do PLANMC ou do PLAGF — em curto espaço de tempo. Essa constatação é factual e não há contestação quanto a ela. No entanto, a esmagadora maioria do terreno que corresponde a essa descrição está localizada no lado leste da ilha. Estima-se que 60% a 80% da costa leste seja composta por costões rochosos extremamente íngremes, falésias ou terreno completamente impróprio para o desembarque de centenas de veículos e milhares de tropas. Há ainda uma parte notável da costa que é viável, principalmente na região norte da ilha e nos arredores de Taitung, no sul, mas a maior parte desse trecho leste não é adequada para uma força de desembarque de grande porte.

Agora, um momento para ilustrar o argumento central: Taiwan também possui uma costa oeste e é lá que o PLA pode desembarcar.

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